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Esparramados pelo chão

Marcio e Homer

Lucão (Homer) e eu, engravatados

Acho que é normal crescer achando que o mundo inteiro faz as coisas como sua família faz. Assim, foi um choque quando eu descobri que há quem limite a quantidade de convidados que recebe em casa às vagas em seu quarto de hóspedes. Ano passado eu perguntei para um amigo: “mas peraí, você nunca dormiu no chão da sala com mais seis primos?”. Ele respondeu com uma cara de “como assim, seis primos?”.

Hotel, então, foi sempre algo muito exótico e distante que talvez se usasse ao visitar algum lugar distante em que não há família. Alugar um quarto de hotel ao visitar familiares? Inconcebível. Com tantos metros quadrados de chão ali para serem usados!

E assim eu cresci num mundo de chão de sala forrado de colchões, primos farreando depois da novela das oito sem deixar a avó dormir, crianças dormindo umas por cima das outras.

A gente cresce e, ao invés de nos hotelarizarmos, acabamos por converter os cônjuges às alegrias de dormir no chão. E assim a quantidade de hóspedes mambembes porém felizes só aumenta, e uma sala não é mais suficiente. O chão dos quartos também vai sendo tomado, cada um traz seus colchões – e não mais colchões velhos de guerra enrolados em barbante, mas sim modernosos colchões infláveis.

Ontem o clã se reuniu em Campinas para prestigiar a formatura do meu primo Lucas. As formaturas dos Carlos são eventos sempre épicos, consequência de uma família que não dá por garantido um diploma universitário e que adora festas em grande escala. O quartel-general foi a casa da minha mãe em Campinas; na hora do almoço já saímos em 14 para um restaurante próximo, e ao longo da tarde mais gente foi chegando. As décadas de experiência garantiram que, mesmo com a alta concentração de gente se arrumando para ficar na estica para o baile, todos estivessem prontos às nove e meia quando a van – sim, uma van – chegou para levar todos estrada afora.

Lucas, Aline, Marcela, Laryssa e Ana Paula

O formando cercado de mulher bonita.

Formatura de um dos primos mais legais de todos resultou numa comemoração que começou no portão de casa, engrenou na fila de entrada do salão, embalou ao redor das duas mesas que nos reservaram e só acabou ao raiar do dia porque a banda desistiu. Não houve estilo musical que abatesse a primaiada, e volta e meia a gente bradava o apelido universitário do primo, “HOOOOMEEEER”, só pra ele saber que, onde quer que ele estivesse na multidão de milhares de formandos naquela festa, a torcida dele era a maior e mais dedicada.

Na manhã seguinte, ao ser acordado pelas conversas durante o café da manhã, olhei em volta. Eu rachando o sofá com minha irmã; quatro primas ainda ressonavam espalhadas pelo chão. Tios, tias e mais primos zanzavam aos tropeços ao redor da mesa, querendo nada mais que um café que lhes dê forças e um Engov que cure a ressaca.

Quem deixa que as camas de hóspedes limite a presença familiar em casa nunca vai saber a alegria de uma manhã dessas.

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