Marcas de mão em madeira

No coração das minas

Agora que chegamos ao quarto dia de filmagem, nós, “estrelas” do programa, já estamos nos ajustando à rotina de gravação. Às sete e meia temos que estar alimentados e dentro da van; meu despertador toca às 6:45h, às sete estou no térreo tomando café da manhã, 7:25h já estou no saguão de dente escovado. Passei a levar o iPad comigo para tentar adiantar o trabalho de escrita e ler um pouco também nos períodos de translado dentro da van. Mas meu condicionamento de anos de transporte público e rodovias brasileiras muitas vezes fala mais alto; o motor começa a vibrar, eu me acomodo como posso e puxo o ronco. Meus coleguinhas ficam meio impressionados com essa capacidade de dormir em qualquer canto.

Rudnik Sveta Barbara

Um túnel escuro da mina, com vigas de madeira sustentando a passagem.

A escuridão que absorve toda alegria

A mesma santa encalhada da igreja de ontem é a padroeira dos mineiros. Então não chega a surpreender que uma mina seja batizada com o nome da santa – os infelizes dos mineiros precisavam de toda proteção que pudessem arranjar. As minas de Santa Bárbara ficam na cidadezinha de Rude, ao lado de Samobor, já funcionava desde o século XIII, mas encerrou suas atividades em 1859, quando ela parou de dar lucro. Ela permaneceu fechada até em 2002 tiveram a iniciativa de limpar e restaurar os túneis, tornando-os seguros para a visitação de turistas.

O visitante veste um jaleco e capacete, respira fundo, abandona a alegria do lado de fora e adentra a escuridão do túnel. Para quem gosta de geologia deve ser um barato. Para quem gosta de felicidade é sofrido. As minas são frias, escuras, volta e meia você encontra uns cogumelos enormes brotando em frente, água pinga pelas vigas… Você caminha, caminha, caminha, afundando cada vez mais na terra. É bom não pensar no labirinto em que se está. Não tem como não pensar como é difícil a vida de quem tem que passar doze, quatorze horas por dia realizando esse trabalho brutal sem jamais ver a luz do dia.

O guia, no entanto, garante que a visita seja pelo menos educativa: explica como era minerar nos velhos tempos, mostra os minérios nas paredes, conta histórias e lendas. Aparentemente a mina é cheia de gnomos que podem te ajudar ou te sacanear dependendo da sua atitude. É um programa superdigno de se fazer – se você não tem claustrofobia.

Vinogradarstvo i Vinarstvo Korak

Taça de vinho branco em primeiro plano, sobre mesa de madeira, e paisagem com parreiras ao fundo.

Pelo vinho e pela paisagem

Se você gosta de vinho e paisagem, a Vinícola Korak é uma boa escolha. No alto dos montes da região de Plešivica, ela oferece uma produção artesanal de vinhos de vários tipos de uvas e uma paisagem deliciosa. O visitante pode conferir os vários toneis em que o vinho fica aguardando por anos seu momento de ser engarrafado e vendido. Depois pode-se provar algumas garrafas, mas esse não é meu barato. Quando o povo começa a sentir traços de caramelo e papaia num vinho produzido no alto da Croácia eu desligo os neurônios, sorrio e concordo.

Planinarski dom Žtnica

Mesa com seis pessoas almoçando numa varanda. Paisagem de montanhas por trás.

Almoço de tirar o fôlego

Você, pessoa que não vê a hora de escapar da rotina massacrante da cidade. Que assim que pode veste suas botinhas e sai para fazer trilha pelos matos do mundo. Existe um lugar em que você tem uma imensa vantagem sobre as outras bestas motorizadas. Perto de Japetić, na Croácia, no alto das montanhas, fica o incrível lodge Žtnica, com uma vista de cair o queixo, mesas ao ar livre para quem quer adicionar a delícia da paisagem à delícia da comida, e até acomodações para quem quiser pernoitar. E se você subir a montanha a pé, em duas ou três horas de trilha, você vai estar tomando o melhor caminho e vai chegar feliz. Já se você, como nós, tiver (ou só conseguir) ir de automóvel, vai gastar as mesmas três horas se perdendo por estradinhas de terra, pegando bifurcações erradas, tentando arranjar informação dos camponeses croatas e ziguezagueando pelos montes até ficar zonzo. Então, caro turista, faça a coisa certa, poupe-se o perrengue, e suba a montanha com seus dois pezinhos. Faz bem para o corpo, para a mente e para o planeta.

Stari grad Samobor

Paredes de rocha em ruínas.

E com cinco ou seis retas é fácil fazer um castelo.

Agora, mesmo o mais urbano dos mortais pode criar um pouco de vergonha na cara, encarar quinze minutos de trilha e, ao entrar na cidade de Samobor, caminhar montanha acima para visitar as ruínas de Samobor Antiga. Esse forte, construído no final do século XIII, é aquilo que a gente imagina ser um castelo quando faz nossos desenhinhos na primeira série: torres de pedra, janelinhas miudinhas, construção imponente. Não restou um teto que fosse, mas o visitante mais destemido pode subir no que restou das paredes para ver os morros se esparramarem a seu redor e tirar uma foto bacana.

Samobor

Várias formas de biscoito penduradas numa parede de azulejo, em forma de ferradura, vela, coelho, árvore...

Biscoitos de pedra em todos os formatos!

De volta ao pé do morro, é só andar mais alguns metros para chegar na própria Samobor. É uma cidadezinha do interior supercharmosa, com praça e igrejinha, nenhuma casa com mais de dois andares e muitas, muitas lojinhas simpáticas. Além de provar a torta de creme típica, o turista ainda pode levar de lembrança os tradicionais biscoitos em forma de coração à venda por toda parte. Servem para se declarar à pessoa amada, para decorar a árvore de natal e, como são duros como pedaços de pau, também como arma para autodefesa caso surja a necessidade.

Biscoitos pintados com base vermelha e vários adornos feitos de açúcar, em forma de coração e cavalo.

Os biscoitos decorados. Podem servir de decoração, até.

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