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O jeitinho croata de ser

Já convivemos com os croatas e vemos croatas de norte ao sul do país (o que para o brasileiro é quase nada, vamos admitir – a Croácia tem uma área equivalente ao estado da Paraíba) há duas semanas. Observações sobre o que é que o croata tem:

  • Eles comem. E comem muito. Sempre há um risco de que nossa percepção esteja distorcida porque afinal somos “estrelas internacionais” num “programa de TV” e portanto eles querem impressionar. Mas até agora eu não vi uma refeição que não tivesse três pratos pelo menos. O almoço não tem pressa, assim você pode encher o bucho de pão com azeite, sopa, salada, carne, batata, peixe, e ainda algum folheado de sobremesa. Se não for refeição oficial, dá-lhe queijo e prosciutto. E uma rakiazinha para deixar o dia mais faiscante.
  • Uma questão de orgulho para os croatas é como sua água é limpinha e potável. Em qualquer fonte, rio ou lago, eles fazem questão de apontar como dá pra beber a água de lá. Ficam felizes da vida quando você enche sua garrafa de água Jana com a água local. E se você estiver em casa, pode beber a água da torneira também que não dá nada.
  • Outra coisa que eles adoram frisar é como tudo que eles estão servindo é natural e vem dali de perto. Várias vezes já vi o cozinheiro abrir a porta do quintal e voltar com um ingrediente ou três que acabou de colher no jardim. Peixe, colhido ali na costa mesmo. E como vem de perto, é claro que é muito saudável, até medicinal se você perguntar. A Ashley gosta de contar de um câmera croata com quem ela já trabalhou anteriormente, e que era tão fixado em como as coisas tinham que ser naturais que era contra sombras “de mentira” – nisso leia-se sombras criadas por mãos humanas, tipo telhado. Sombra boa e saudável mesmo era a natural, de árvore. E ainda é local, deve fazer até bem para a saúde.
  • Por outro lado, os croatas fumam. E fumam muito. Nem é algo que é um resquício da época em que o povo fingia que cigarro não dava câncer, como estamos acostumados a ver pais e avôs que não superam o vício. Do garoto criando bigode à vovozinha criando bigode, é uma fumaceira sem fim. Quase toda a nossa equipe de filmagem fuma, os guias em geral fumam, o pessoal no restaurante fuma. Suspeito que os cozinheiros também fumem em cima dos pratos, isso não impediria que a comida fosse local e natural.
  • Também não chegou na Croácia ainda a estética do corpo sarado. A população vive feliz como se vivesse numa novela dos anos 1980: nada de bíceps volumosos, peitorais definidos, barrigas depiladas, peitos siliconados, barrigas negativas, coxas torneadas. Cada um vive como veio ao mundo, alguns fazem mais esforço para se manter em forma, mas em geral eles todos comem seus quilos diários de pão com prosciutto sem o menor peso na consciência.
  • Um cão dálmata adulto e grande, de aproximadamente meio metro de altura, segue seu dono pelo calçadão de uma praia croata.

    Finalmente, encontrei um cão dálmata na Dalmácia

    A igreja católica aqui é presente como há muito eu não via. Como turistas profissionais, somos levados a igrejas por todas as partes, mas dá pra notar que o pessoal aqui leva a sério. Frequentam a missa como o brasileiro deixou de fazer há tempo, adoram uma aparição de santo ou da Virgem Maria, e por qualquer motivo acendem uma vela. É muito comum ver dezenas de jarros vermelhos com velas acesas dentro próximo a igrejas. Eu pensava que era algo que a própria igreja vendia, mas não – dá pra você comprar no supermercado.

Observação final: uma semana percorrendo a costa da Dalmácia (praticamente toda a costa sul da Croácia), e só agora consegui ver meu primeiro cachorro dálmata na rua. Já estava ficando mais frustrado do que quando percebi que não havia couve-de-bruxelas em Bruxelas.

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