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Não quero dinheiro, eu só quero amar

Marcio com a cidade de Zagreb por trás. Pode-se ver a catedral de Zagreb erguer-se entre vários prédios baixos.

Que lindo quando a arquitetura até deixa a gente ver a catedral da cidade, né?

Economia burra, presunção, pseudoufanismo, cara-de-pau, amizade… Se prepara que é quase emoção demais para um post só.

Aeroporto de Frankfurt. Fui trocar os suados caraminguás em dinheiro vivo que eu tinha trazido pra comprar um lanchinho enquanto aguardava o voo. Já ciente que a Croácia, apesar de ter entrado na União Europeia, não tinha adotado o euro, resolvi trocar só o mínimo necessário no momento porque câmbio de aeroporto não costuma ser bom negócio. “Vou estar na capital do país, com certeza eu consigo trocar por lá!”.

Centro de Zagreb. Chego no banco cheio de reais pra trocar. Depois de esperar atrás de uma fila com três velhinhas (“hoje é dia de entregar a aposentadoria”, se desculpou a atendente), eu pergunto se eles trocam reais por kurna. Hmmmm, não, ela me responde. Quem sabe no outro banco? Deixei dezenas de aposentados lá contando seus trocados e fui pra outro banco tentar trocar os meus.

E outro. E outro. E uma casa de câmbio. E outra. E um hotel. E outra casa de câmbio, só porque surgiu no caminho. Daí fui pra embaixada brasileira. Onde a mulher do balcão disse que não sabia como me ajudar.

Não que eu fosse passar fome, pelo contrário, a produção do programa nos trata e alimenta muito bem. Mas é bom ter um dinheiro pra comprar uma garrafa d’água se precisar, né. Sentei na praça na frente do consulado pensando como faria para sair desse nó. E daí me ocorreu pedir ajuda para o Hugo.

Hugo é meu amigo desde o colegial. Dono dessas inteligências estratosféricas que o tornam capaz, dentre outras coisas, de passar em qualquer concurso que queira. Como fez nos vestibulares e no concurso para o Rio Branco. Hoje, trabalha na Embaixada brasileira na Bélgica.

Imagem de Santo Antônio rodeada por várias placas de agradecimento.

A caminho do Museu dos Relacionamentos Desfeitos, uma capela pra Santo Antônio. Significa?

Entrei em contato com ele via Facebook. Ele prontamente começou a ver o que podia fazer, confirmou que, realmente, em todo território croata não se troca reais, e daí, sendo incrivelmente incrível, entrou em contato pessoalmente com a Embaixada aqui em Zagreb. Quarenta minutos depois ele me disse pra voltar lá que eles tinham encontrado uma maneira de me ajudar. E realmente me ajudaram. Me deram um puxão de orelha, mas resolveram meu problema, com malabarismos muito além do que era a obrigação deles com esse cidadão brasileiro.

Por isso, Itamaraty, aqui vai um beijo de AMOR pra você. E dois para o Hugo.

E dica para os viajantes brasileiros: fora do Brasil, O REAL NÃO É TUDO ISSO. Leve euros.

Cumprida essa missão, pude começar a explorar Zagreb de verdade. Que cidade mais linda. O centro é todo de prédios com no máximo quatro andares, o que te deixa ver o céu, sentir o sol, essas coisas que São Paulo não permite. Muitos calçadões e praças, todos cheios de pessoas almoçando ao ar livre. Dá pra sentir a vibe católica também, várias estátuas e imagens de santos, muitas igrejas. A catedral, infelizmente pra mim, está em reforma.

Painel em alto-relevo em homenagem a Nikola Tesla

Nikola Tesla, seu lindo.

Outro ídolo, ao que parece, dos croatas é Nikola Tesla, gênio inventor, entre outras coisas, da corrente alternada, pessoa elevada e sem mesquinharia, para o horror de Thomas Edson. Trombei com uma rua e dois monumentos em homenagem a ele. Só digo: DIVO. Se você não sabe por que Tesla merece a eterna admiração da humanidade, confira Why Nikola Tesla was the greatest geek that ever lived, que explica tudo sobre ele.

O grande barato do dia mesmo foi o genial Museu dos Relacionamentos Desfeitos (Museum of Broken Relationships). Que aparentemente começou como uma exposição temporária, virou museu e agora já se prepara para abrir sucursal em Amsterdam. A ideia é simples e fantástica: expor objetos, em geral cotidianos, ligados a um relacionamento que acabou. Bicicleta, camisetas, ursinho de pelúcia, vestido, retrato, relógio… Cada um acompanhado de uma legenda contando sua história de desilusão. Alguns gigantes, outros maravilhosamente breves (ao lado de um incenso para o amor: “Não funcionou”). É um museu moderninho, baratinho e do tamanho certo para uma visita à tarde.

Uma prótese de um pé direito exibida no Museu dos Relacionamentos Desfeitos.

“A prótese durou mais que nosso amor…”

De volta ao hotel, de noite, finalmente conheci os outros viajantes do programa: Mike e Florence, americanos, Violetta, sul-africana e finlandesa, e Ana, da Espanha. O pessoal do programa tinha preparado uma coletiva de imprensa, durante a qual fomos apresentados por Lea Bresnar, coordenadora do projeto, e pela Ashley, a apresentadora. Depois de responder uma perguntinha para as câmeras, dei entrevistas para duas repórteres de jornais croatas e jantei. Depois nós cinco ainda fomos para o pub em frente tomar uma cerveja local e conversar para nos conhecermos melhor. Minhas impressões foram todas ótimas.

Amanhã começam as atividades e gravações de verdade. Ansioso? Sim. Mas empolgado. :-)

Freira acendendo uma de inúmeras velas num altar para Santo Antônio.

Uma – várias – velinhas para o santo!

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