Aeroporto de Frankfurt

Trânsito imenso

Uma mala grande em cima da balança de check-in, com o peso apontando 26,7kg

Dessa vez, viajando com uma malona, certinho no peso-limite de 27kg

Algumas escolhas que facilitam a viagem internacional, aprendidas ao longo de várias partidas: dane-se a elegância, coloque roupas folgadas – você não quer nada te apertando num lugar que já é apertado como a cadeira de avião. Mas, no quesito calça, não tão apertada que vá cair de você, porque também é bom não usar cinto – não apenas pelo conforto, mas porque inevitavelmente vão te fazer tirá-lo antes de passar pelos raios-x ou algo do tipo. Poupe-se a cena de tirar o cinto já indo sem.

Depois de fazer a mala e conferir que passaporte, e-ticket e dinheiro estavam em seus devidos lugares, decidi experimentar uma atitude nova: fui pra uma balada fervida esgotar a bateria antes de embarcar. Tão fervida que fiquei com dó de ir embora quando bateu 3 e meia da manhã, mas melhor perder duas horas de farra que perder o voo. Funcionou: eu já mal me aguentava no táxi para o aeroporto; cambaleei pelo check-in e imigração; às sete e meia da madrugada me arrastei para dentro do avião, e com as últimas forças que me restavam me aguentei desperto até servirem e recolherem a refeição. Daí apaguei.

Não se chega na Croácia de fora da Europa por voo direto. Então haveria algum tempo de conexão de qualquer maneira. Mas não sei por que razão o pessoal do programa, ao invés de me mandar de Sumpaulo direto prazoropa, resolveu me levar para um rolezinho básico nos EUA. Mas o fato é que fui roncando de Sampa até Charlotte, Carolina do Norte, ignorando pela maior parte um avião que, em termos de conforto e amenidades, parou em 1983.

Depois daquele tédio básico de imigração e bagagem e uma hora e pouco de espera no aeroporto, lá me fui para mais um voo da US Airways com mais aeromoças abruptas e cheias de laquê. Por algum mistério das reservas, minha passagem apitou como “menor desacompanhado”. Quando eu já tinha me sentado na minha poltrona, vieram conferir se eu não era um menor abandonado mesmo. Suspeito que em algum outro assento desse avião havia um garotinho assustado e chorando porque não sabia o que fazer e ninguém veio lhe orientar como prometido.

Eu e Ashley Colburn sorrindo para um autorretrato

Minha colega de voo, a apresentadora do programa, Ashley Colburn, em seu uniforme de viagem

Uma boa (quase) surpresa: sentada ao meu lado no voo estava Ashley Colburn, a apresentadora do programa. Bonita, gente boa e da minha idade, ela também estava em seu uniforme viajante: um legging de bolinhas, moleton e tênis. É das minhas. E ainda se comportou direitinho durante a travessia transatlântica: conversou enquanto convinha conversar, depois foi assistir um filme enquanto eu lia, comentou a refeição meia-boca quando serviram, e me deixou dormir quando a pilha (felizmente) acabou de novo. Acordei quando já estavam iniciando os preparativos para pousar em Frankfurt.

De volta ao solo, resgatamos as bagagens e cruzamos a fronteira para poder fazer check-in na última parte da nossa jornada, o voo de Frankfurt para Zagreb. No balcão, fui informado de que o limite de peso nesse voo era 23kg, não os 27kg que me eram permitidos até agora. Não tive solução que fazer aquela cena meio ridícula de abrir a mala na frente do balcão e entuchar 4 kg de calças jeans e blusas na minha mochilíssima. E ainda amarrar outra blusa na cintura. Mas assim consegui cravar 23kg e economizar 75 euros.

E agora, espera. Porque pra Zagreb não tem tanto voo assim. Cruzamos a “fronteira” de volta para a área de embarque (mais dois carimbos no passaporte, yeah!) às 11 da manhã, horário local, e agora estamos esperando a hora de embarcar – às 17:30h. Tempo de sobra para recarregar todos os eletrônicos, passar um pouco de vontade nas lojas, e manter o blog em dia. Ashley está dormindo nos assentos do saguão sem a menor cerimônia, já que eu prometi vigiar toda a bagagem. Realmente, acho que ela é das minhas.

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